Um manual, simples, da pessoa.

Dizem que os sagitarianos são pessoas muito loucas. Sim, somos. Somos as pessoas nas quais, muitos dos demais signos vêem para conversar, pedir conselhos, chorar as pitangas. E nós estamos lá. Independente de sermos regidos por um signo que é tido como o solitário, nós estamos lá. Seja para um estranho, seja para o amigo mais leal.

Dizem que filhos únicos são mimados. E somos mesmo. Somos os mais queridos de nossos pais, pois eles sabem que o mundo, de certa forma, inveja a quantidade de atenção que recebemos. Eles, nossos pais, sabem que muitas pessoas, provenientes de famílias grandes ou mesmo apenas com um irmão, terão problemas em lidar com a quantidade de afeto que recebemos desde berço, fazendo-nos, sentir as pessoas mais especais desta terra.

O ser humano por si só adora atenção afeto, e como únicos, recebemos até em demasia. Entretanto, se não formamos, estamos fadados à solidão ou ás vontades daqueles que nos cercam. Logo, como únicos, aprendemos a lidar com o excesso de afeto e tirar proveito ao máximo enquanto temos esta exclusividade.

A post shared by LGBT ES (@lgbtes) on Mar 10, 2017 at 8:29pm PST

 

Dizem que eu apenas falo. Não escuto e sou carente de atenção. Querides, você de fato precisa sair desta órbita na qual insiste em me classificar. Ultimamente escuto as mais bizarras atrocidades e não questiono. Ultimamente tenho recebido um dos maiores apoios que minha família pode me dar e não tiro proveito deles. Não desisto das batalhas e não posso ser taxado de acomodado.

Em um trabalho na rua, sou multado. Em outro momento, por apoio e solidariedade à causa, escuto que meu site é uma bosta e que minhas fotos são fracas. O que prontamente concordo, afinal, eu não tenho a prática do jornalismo de redação institucional, reducionista no qual muites colegas de classe, alegremente, fazem com que o Brasil siga seu percurso como um dos mais opressores em relação aos direitos civis de sua população.

Minha fotografia nada mais é que o meu olhar sobre o mundo que me cerca e eu vejo em linhas retas, ângulos práticos uma vida na qual sou constantemente reduzido por ser negro, gay, fanho, filho único, mimado, sagitariano, solteiro, que mora com os pais e já possui três décadas a mais de vida.

Como uma destas personagens de reality tv disse outro dia: “Darling, if you don’t understand me, fuck off”. Não sou obrigado a aguentar esta negatividade que me rodeia enquanto eu estou constantemente sendo observado, julgado. Não é vitimismo, mas você bem sabe que todos têm direito à fala e quando você fala, eu estou te ouvindo não importando como minha cara está se mexendo, afinal, o que conta é que eu estou dando valor ao que de fato interessa: sua fala. Então por que o mesmo principio não pode valer para todos nós?

E depois os mimados são os filhos únicos, moradores com pais, sagitarianos? Sabe, seu estereótipo? Ele está te cegando.

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