Águas, não salobras, de março, 2017.

Por longas fases, deixo de ouvir rádio comercial. Geral// eu fico preso no passado, ouvindo e revivendo emoções que nem conhecia. Mas hoje, dirigindo depois de um extenuante dia de serviço sem menor sentido, voltando para casa, escutando radio comercial, sim, a pop comercial jovempan, ouvi exatamente o que estou pensando; e há tempos.

Estou cansado de dar opiniões, ajudar as pessoas, dar o melhor que eu tenho a elas. Estou na verdade emputecido com algumas atitudes que me circulam, me limitam, me censuram. E este inglês da Grã-Bretanha pós Brexit, veio cantando esta lírica que entrou nos meus ouvidos e ecoou direto no meu core. É raro alguma música fazer isto comigo.

Eu geralmente não consigo entender muito bem inglês cantado, não tenho paciência, mas de primeira, eu aprendi esta letra, segui para casa e vim para o bom e velho youtube – o censurador, e catei o clipe. Aproveitei para ler as críticas, reviews dos jornais ingleses. Fui procurar mais sobre aquele cara que cantou meu pensamento de forma tão cristalina.

Em geral, não me peçam opinião se não estão satisfeitos com o que direi. Não relativizem minhas falas, não as censurem ou mesmo as silenciem. Quando eu peço opinião eu escuto. A cara pode estar feia enquanto você fala, afinal, não sou um modelo, mas eu escuto, portanto, não me cortem, não cortem minhas linhas de raciocínio. E não julguem que eu não estou te ouvindo. Minhas falas podem não servir para você, mas elas servirão para mim. Algum dia, servirão.

Se você não quer ouvir, você não tem o direito de pedir a fala do outro emprestada para em cima dela, sair-se melhor, mais fortalecido enquanto, o outro enfraquecido, questiona a razão dele estar tendo um diálogo com alguém que cita milhões de escritores, pensadores, acadêmicos e afins para te descreditar, fazer com que você sinta-se diminuído.

E depois você ainda fala que a sua queixa, a sua reclamação está feia. Está muito vitimista e que as coisas boas que você sozinho está alcançando podem evaporar por que você está muito negativo. O cúmulo da filha-putagem reversa!

Don’t ask my opinion

Don’t ask me to lie
Then beg for forgiveness
For making you cry, making you cry”

Era isso que estava exatamente preso na garganta.
Exatamente o que eu diria se eu pudesse enfiar uma pá na sua cara e acabar com essa sensação sufocante. Mas sei que ela não cessaria. Esta sensação é uma sensação na qual eu não posso culpar ninguém. Eu sou responsável pelos meus atos. E porque você não pode ser também? E porque você sufoca as minhas emoções? Sufoca minhas opiniões e ao mesmo tempo pede por elas? Para quê você as vampiriza?
Todos nós temos problemas, uns de saúde, outros emocionais, outros financeiros, outros educacionais, outros compulsivos. Muitos, muitos problemas que nem imaginamos. Mas estamos todos nessa rede conectada e mesmo que você não deseje ver que temos problemas, falar deles é essencial. Esta sensação de que eu não posso expressar minhas emoções por que o mundo está o tempo todo me julgando, enquanto, ele, o mundo, segue colocando as culpas dos problemas deles em mim, não me parece muito fairgame.
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