Negrxs: Onde estamos?

De tanto reclamar decidimos trocar de jornal aos domingos. O jornal que não se dobra já não mais contemplava a leitura da família. E principalmente por que este jornal em questão ser mestre em manter negrxs nas páginas policiais enquanto loiros são frequentes nas editorias de colunismos sociais, investimentos, moda, cultura.

Ao trocar de jornal, o mesmo exercício continua sendo praticado: o de observar quem é a negritude e onde e como ela está sendo visibilizada na mídia imprensa.

Para nossa surpresa: continuamos com cadeira (c)ativa saindo nas páginas policiais. Se formos procurar nas editorias de esportes, estamos associados ao futebol, basquete e atletismo. Desnecessário lembrar que no carnaval as negras ocupam o lugar que lhe és esperado: a de negra que alegremente serve ao senhor da terra dançando e insinuando-se a atender ao prazer do macho da terra. (sic)

Se estivermos procurando empregos, imediatamente somos associados pelos editores aos empregos mais servis – caixa de supermercado, manicure, prestador de serviços para coleta de limpeza (gari mesmo). Entretanto compreendemos que um emprego é um emprego ainda mais em tempos sombrios de recessão na pós-ditadura.

Mas, como podemos dizer para uma criança que não há racismo se ela jamais em todo este tempo de observação viu médicos ou advogados negrxs serem visibilizados?

Caro leitor, você já viu um gestor de pessoal, gerente de empresas, professor/a om poder de voz nos jornais locais? O que percebemos é que negrxs no estado do Espírito Santo continuam sendo apagados por uma mídia que continua a servir ao ideário colonial eurocêntrico – italianos, alemães, poloneses, pomeranos, estes sim são dignos de se veem e serem vistos nas páginas dos semanais.

Hoje, para a nossa surpresa, em um badalado caderno de moda/estilo do jornal que se dobrou, dentro das 24 páginas, comprovamos em uma coluna, dois negros. Ambos devidamente ‘estilosos’ estavam em destaque dentro da coluna. De resto, em todo o suplemento semanário, só havia modelos loirxs e brancxs de cabelos escuros.

Detalhe: hoje, domingo, 29 de janeiro de 2017, Raissa Santana representará a beleza da mulher negra brasileira no concurso de Miss Universe! E na escola, como podemos dizer para a criança negra que ela é importante, se nem ao menos ela se vê retratada com dignidade na mídia impressa? Os paradoxos do Brasil, país sem racismo.

Outro detalhe: Raissa é a primeira mulher negra em 30 anos a representar o Brasil no Miss Universo. Desde Deise Nunes em 1986, as Misses Brasil são brancas, mesmo sendo o Brasil composto por 54% de afrodescendentes.

O MISS UNIVERSE 2017 acontece a partir das 22h e será transmitido pela Rede Bandeirantes e pelo canal pago TNT. Cada tuitada om as tags #MissUniverse e #Brazil dão a Raissa um voto. Participe.

Se você não está indignado com o atual momento no Brasil, ou está agindo de má fé ou mal informado estás!

Foto: Página Raissa Santana

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