Alemanha valoriza muito o jornalismo cultural, explica crítica literária

Izabela Vasconcelos, de São Paulo

A repórter e crítica literária do jornal alemão Frankfurter Allgemeine, Julia Encke, participou do encerramento do II Congresso de Jornalismo Cultural, e contou que a Alemanha reserva um grande espaço para o jornalismo cultural.

“Podemos escrever críticas longas, que ocupam até uma página inteira. Em alguns jornais chegam a publicar 10 páginas só sobre livros. É uma vantagem da mídia imprensa. E é um caderno muito lido na Alemanha”, explicou.

Diferente do que acontece no Brasil, cada tema cultural conta com uma revista específica. “Não existe uma revista cultural na Alemanha, existem várias revistas segmentadas, uma só de ballet, outra de literatura, outra de música”, contou. De acordo com a repórter, o papel de tratar a cultura geral fica a cargo dos jornais diários.

Profissão
Julia também explicou as dificuldades e desafios de seu trabalho como crítica literária. “Um desafio é a seleção dos livros. Tem vezes que eu tenho que ler um livro de mil páginas em uma semana, então não sobra tempo pra nada. E eu não leio como nós lemos normalmente, é um trabalho”.

A repórter disse que a crítica exige muita responsabilidade. “Nós não estamos proferindo verdades. Eu não posso dizer isso é literatura, isso não é. Eu devo usar argumentos, mostrar como eu cheguei àquela opinião. Os jornalistas têm uma posição até confortável, porque em duas horas ele escreve sobre o que os outros fizeram durante anos. Por isso é importante nós respeitarmos e argumentarmos sobre o que analisamos”, enfatizou.

Independente do avanço das novas mídias, Julia considera que os jornais e os livros nunca sairão do mercado. “Eu não sou pessimista sobre a sobrevivência dos jornais e da crítica impressa. Eu acredito que sempre haverá jornais e livros. Podemos entender o jornalismo impresso como um desafio, sem desprezar essas novas mídias que estão surgindo”, declarou.

Ao final da palestra, a repórter disse que acredita que o jornalismo cultural é muito mais aberto para a participação de profissionais de outras áreas, mas que o jornalismo geral, de reportagem, exige uma formação mais específica.

fonte: http://www.comunique-se.com.br/conteudo/newsshow.asp?op2=&op3=&editoria=8&idnot=55715

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